PEDIDOS DE OPINIÕES

Pedimos a quem nos visite!... que nos deixe a vossa opinião, utilizando o espaço das mensagens ou comentários, estamos empenhadas a 100% neste blogue.
Mas, gostávamos de saber se o mesmo, será do vosso agrado...Para nós é muito importante a vossa opinião.

Porque, este blogue, foi criado a pensar em si.
Um bem-haja para todos.....obrigado

---------------------------------------------------------------


domingo, 10 de janeiro de 2010

MARIA GIRÃO

UM QUADRO NA MOURARIA (



UM QUADRO NA MOURARIA

Três horas da madrugada
Burburinho e algazarra
Ecoa pela Mouraria
Era gente entusiasmada
Pelo gemer de uma guitarra
E a voz da Rosa Maria

Um fidalgo destemido
No meio desses bairristas
C’uma guitarra na mão
Tocava o fado corrido
Desafiando os fadistas
Da rua do Capelão

Com a voz a soluçar
Alguém entrou a cantar
No desafio provocado
Todos quiseram saber
Quem era essa mulher
Que tão bem cantava o fado

Foi ela a Rosa Maria
Que viveu sempre a cantar
E ainda hoje é lembrada
Lá morreu na Mouraria
Depois do sino tocar
Três horas da madrugada

Este quadro tão fadista
Sem nenhuma fantasia
Da minha imaginação
Tem um cunho realista
Passou-se na Mouraria
Em tempos que já lá vão

GILDA VALENÇA

CANTO O FADO (



CANTO O FADO

Há, para o sofrimento, um bom remédio afinal
É cantar, e no momento, ninguém se lembra do mal

Não custa mesmo nada, tentem fazer como eu
Uma guitarra afinada, uma voz bem timbrada e tudo esqueceu

Quando a tristeza me invade... canto o fado
Se me atormenta saudade... canto o fado
Haja ciúme á vontade... canto o fado
Por uma esperança perdida
Não passo na vida por um mau bocado
Se acaso a sorte o esqueceu
É fazer como eu, deixo andar... canto o fado

Não é que não me interesse, por quem á dôr não resiste
Mas há gente que parece, que gosta até de andar triste

Tem sempre um ar fatal, a que ninguém o obriga
Mas nesta vida, afinal, vendo bem, nada vale mais do que uma cantiga

Quando a tristeza me invade... canto o fado
Se me atormenta saudade... canto o fado
Haja ciúme á vontade... canto o fado
Por uma esperança perdida
Não passo na vida por um mau bocado
Se acaso a sorte o esqueceu
É fazer como eu, deixo andar... canto o fado

JOÃO VILLARET

FADO FALADO (Nelson de Barros / Aníbal Nazaré / A. Barbosa)



FADO FALADO

Fado Triste, fado negro das vielas
Onde a noite quando passa leva mais tempo a passar
Ouve-se a voz, voz inspirada de uma raça
Que mundo fora nos levou pelo azul do mar:
Se o fado se canta e chora, também se pode falar

Mãos doloridas na guitarra que desgarra dor bizarra
Mãos insofridas, mãos plangentes
Mãos frementes, impacientes
Mãos desoladas e sombrias, desgraçadas, doentias
Onde há traição, ciúme e morte, e um coração a bater forte

Uma história bem singela: bairro antigo, uma viela
Um marinheiro gingão e a Emília cigarreira
Que ainda tinha mais virtude que a própria Rosa Maria
Em dia de procissão da Senhora da Saúde

Os beijos que ele lhe dava, trazia-os ele de longe
Trazia-os ele do mar... eram bravios e salgados
E ao regressar à tardinha
O mulherio tagarela de todo o bairro de Alfama
Cochichava em segredinho que os sapatos dele e dela
Dormiam muito juntinhos debaixo da mesma cama

Pela janela da Emília entrava a lua
E a guitarra á esquina de uma rua gemia, dolente a soluçar
E lá em casa:
Mãos amorosas na guitarra que desgarra dor bizarra
Mãos frementes de desejo, impacientes como um beijo
Mãos de fado, de pecado, a guitarra a afagar
Como um corpo de mulher para o despir e para o beijar

Mas um dia:
Mas um dia santo Deus, ele não veio
Ela espera olhando a lua, meu Deus que sofrer aquele
O luar bate nas casas, o luar bate na rua mas não marca
Mas não marca a sombra dele

Procurou como doida e ao voltar da esquina
Viu ele acompanhado com outra ao lado, de braço dado
Gingão, feliz, rufião, um ar fadista e bizarro
Um cravo atrás da orelha
E preso à boca vermelha o que resta de um cigarro

Lume e cinza na viela... ela vê, que homem aquele
O lume no peito dela... a cinza no olhar dele

E pouco a pouco o ciúme chegou
Como lume queimou o seu peito a sangrar
Foi como vento que veio labareda atear, a fogueira aumentar
Foi a visão infernal, a imagem do mal que no bairro surgiu
Foi o amor que jurou, que jurou e mentiu

Correm vertigens num grito direito ao maldito que a há-de perder
Puxa a navalha canalha, não há quem te valha, tu tens de morrer
Há alarido na viela, que mulher aquela, que paixão a sua
E cai um corpo sangrando nas pedras da rua

Mãos carinhosas, generosas que não conhecem o rancor
Mãos que o fado compreendem e entendem sua dor
Mãos que não mentem quando sentem outras mãos para acarinhar
Mãos que brigam, que castigam, mas que sabem perdoar

E pouco a pouco o amor regressou
Como lume queimou essas bocas febris
Foi um amor que voltou e a desgraça trocou para ser mais feliz
Foi uma luz renascida, um sonho, uma vida de novo a surgir
Foi um amor que voltou, que voltou a sorrir

Há gargalhadas no ar e o sol a vibrar, tem gritos de cor
Há alegria na viela, e em cada janela renasce uma flor
Veio o perdão e depois, felizes os dois... lá vão lado a lado
E digam lá se pode ou não falar-se o fado

MARIA ANA BOBONE

DÁ-ME O BRAÇO ANDA DAÍ (Linhares Barbosa / José Blanc)



DÁ-ME O BRAÇO ANDA DAÍ

Dá-me o braço, anda daí
Vem, porque eu quero cantar
Cantar encostada a ti
Sentir caír raios de luar
Cantar encostada a ti
Até a noite acabar

Vê que esta rosa encarnada
Me faz mais apetitosa
Somos três da vida airada
Ao pé de ti sinto-me vaidosa
Somos três da vida airada,
Eu, tu e mais essa rosa

Quero sentir o prazer
De passarmos, lado a lado
Ao lado dessa mulher
Que tens agora e não canta o fado
Ao lado dessa mulher
Com quem me tens anganado

Depois bate-se p’ras hortas
Adoro esta vida airada
Beijar-te fora de portas
E alta noite á hora calada
Beijar-te fora de portas
E amar-te á porta fechada

JOSÉ MÁRIO BRANCO

FADO DA TRISTEZA (Manuela de Freitas e José Mário Branco/José Mário Branco)



FADO DA TRISTEZA

Não cantes alegrias a fingir
Se alguma dor existir
A roer dentro da toca;
Deixa a tristeza sair
Pois só se aprende a sorrir
Com a verdade na boca

Quem canta uma alegria que não tem
Não conta nada a ninguém
Fala verdade a mentir
Cada alegria que inventas
Mata a verdade que tentas
Porque é tentar a fingir

Não cantes alegrias de encomenda
Que a vida não se remenda
Com morte que não morreu
Canta da cabeça aos pés
Canta com aquilo que és
Só podes dar o que é teu

Não cantes alegrias de encomenda
Que a vida não se remenda
Com morte que não morreu
Canta da cabeça aos pés
Canta com aquilo que és
Só podes dar o que é teu

ALCINDO DE CARVALHO

BAILE DOS QUINTALINHOS (Carlos Conde / José Marques)



BAILE DOS QUINTALINHOS

Venham daí raparigas
Ao Baile dos Quintalinhos
Perder a noite a dançar;
A seguir temos cantigas
No retiro do Charquinho
Só com motes a atirar

Vamos todos de Cacilhas
Numa alegre burricada
Á Cova da Piedade
Á noite no Quebra-bilhas
Há peixe frito e salada
Com carrascão á vontade

Depressa gente rambóia
Dançar a polka janota
Até ao romper do dia
A seguir, temos tipóia
P’ra almoçar na Porcalhota
E jantar na Tia Iria

Vamos ao vinho em tigelas
Que aos arraiais cá da terra
Nunca falta gente faia
Depois da Quinta de Belas
Vamos do Senhor da Serra
Para os Sinos da Atalaia

Fado, toiros, vinho tinto
Se era assim a mocidade
Como oiço dizer p’raí
Além da pena que sinto
Até chego a ter saudades
Daquilo que nunca vi

JOSÉ FERNANDES CASTRO

CORAÇÃO DE PORTUGAL (José Fernandes Castro / José Marques)



CORAÇÃO DE PORTUGAL

Malhoa fez do fado a sua glória
Camões cantou-lhe a alma num poema
Pessoa rimou fado com história
A vida deu-lhe a sua voz suprema

A guitarra deu-lhe marca de magia
O desejo marcou seu ritual
A dor do amor gerou a melodia
O sonho deu-lhe força divinal

A noite deu-lhe mar de encantamento
A alma deu-lhe mar de felicidade
O coração marcou o sentimento
A distância marcou sua saudade

Ao fado eu dedico a minha voz
Cantando o seu fulgor tão genial
Cantá-lo é sentir dentro de nós
Vibrar o coração de Portugal

VICENTE DA CÂMARA

FADO DAS CALDAS (Raul Ferrão)



FADO DAS CALDAS

Calça justa bem esticada
Tá já manchada p'lo selim,
E plainas afiveladas.
Antigamente era assim;
Mantas de cor nas boleias (ai)
P´ras toiradas e pr'a ceias.

De milorde a guizalhada,
À cabeça da manada
Trote largo e para a frente,
Com os seus cavalos baios,
E as pilecas eram raios
Fidalgos iam com a gente.

E p'la ponte de Tornada
Por lá é que era o caminho
Bem conduzindo a manada
E a passo, devagarinho,
E quem mandava o campino (ai)
Era o mestre Vitorino.

De milorde a guizalhada,
À cabeça da manada
Trote largo e para a frente,
Com os seus cavalos baios,
E as pilecas eram raios
Fidalgos iam com agente.

Praça cheia, toca o hino
É dos Gamas, gado matreiro
Victor Morais, o campino,
Anadia, o cavaleiro
E que sortes tão bem mandadas
Haviam nessas toiradas.

De milorde a guizalhada,
À cabeça da manada
Trote largo e para a frente,
Com os seus cavalos baios,
E as pilecas eram raios
Fidalgos iam com a gente.

E nos tempos que não vivi
Findavam as brincadeiras
Nas barracas do Levi
Com dois tintos das Gaeiras
Entre cartazes, letreiros
Ai de toiros, cavaleiros

De milorde a guizalhada,
À cabeça da manada
Trote largo e para a frente,
Com os seus cavalos baios,
E as pilecas eram raios
Fidalgos iam com a gente.

JORGE FERNANDO

ENDEIXA (Luis de Camões/Carlos Gonçalves))



ENDEIXA

Pois meus olhos não deixam de chorar
Tristezas que não deixam de cansar-me
Pois não abranda o fogo em que abrasar-me
Pode quem eu jamais pude abrandar

Não canse o cego amor de me guiar
A parte donde não saiba tornar-me
Nem deixe o mundo todo de escutar-me
Enquanto me a voz fraca não deixar

E se em montes, em rios, ou em vales
Piedade mora ou dentro mora amor
Em feras, aves, plantas, pedras, águas
Ouçam a longa história de meus males
E curem sua dor com minha dor
Que grandes mágoas podem curar mágoas.

Não canse o cego amor de me guiar
A parte donde não saiba tornar-me
Nem deixe o mundo todo de escutar-me
Enquanto me a voz fraca não deixar

E se em montes, em rios, ou em vales
Piedade mora ou dentro mora amor
Em feras, aves, plantas, pedras, águas
Ouçam a longa história de meus males
E curem sua dor com minha dor
Que grandes mágoas podem curar mágoas.

E se em montes, em rios, ou em vales
Piedade mora ou dentro mora amor
Em feras, aves, plantas, pedras, águas
Ouçam a longa história de meus males
E curem sua dor com minha dor
Que grandes mágoas podem curar mágoas.

ANABELA

RECADO A LISBOA (João Villaret)



RECADO A LISBOA

Lisboa, querida mãezinha
Com o teu xaile traçado
Recebe esta carta minha
Que te leva o meu recado

Que Deus te ajude Lisboa
A cumprir esta mensagem
De um português que está longe
E que anda sempre em viagem

Vai dizer adeus à Graça
Que é tão bela, que é tão boa
Vai por mim beijar a Estrela
E abraçar a Madragoa

E mesmo que esteja frio
Que os barcos fiquem no rio
Parados sem navegar
Passa por mim no Rossio
E leva-lhe o meu olhar

Se for noite de São João
Lá pelas ruas de Alfama
Aqueço o meu coração
No fogo da tua chama

Depois levo pela cidade
Num vaso de manjerico
Para matar a saudade
Desta saudade em que fico

Vai dizer adeus à Graça
Que é tão bela, que é tão boa
Vai por mim beijar a Estrela
E abraçar a Madragoa

E mesmo que esteja frio
E os barcos fiquem no rio
Parados sem navegar
Passa por mim no Rossio
E leva-lhe o meu olhar

E mesmo que esteja frio
E os barcos fiquem no rio
Parados sem navegar
Passa por mim no Rossio
E leva-lhe o meu olhar

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

TERESA TAPADAS

GAIVOTA (Alexandre O'Neil / Alain Oulman)



GAIVOTA

Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de Lisboa
Num desenho que eu te fizesse
Esse céu, onde o olhar
É uma asa que não voa
Esmorece e cai no mar

Que perfeito coração... no meu peito bateria
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde cabia... perfeito, o meu coração

Se um português marinheiro
Dos sete mares, andarilho
Que fosse, quem sabe, o primeiro
A contar-me o que inventasse
Se um olhar de novo brilho
Ao meu olhar se enlaçasse

Que perfeito coração... no meu peito bateria
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde cabia... perfeito, o meu coração

Se ao dizer adeus á vida
As aves todas do céu
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro
Esse olhar que era só teu
Amor que foste o primeiro

Que perfeito coração... morreria no meu peito
Meu amor na tua mão
Nessa mão onde perfeito... bateu, o meu coração

Meu amor na tua mão
Nessa mão onde perfeito... bateu, o meu coração

MARIA ARMANDA

VELHO MARINHEIRO (Mário Raínho / Fontes Rocha)



VELHO MARINHEIRO

Nasceu á beira do mar
E assim se fez marinheiro
Fez-se ao mar a navegar
E cruzou o mundo inteiro

Chegou primeiro às Índias ao Oriente
Uniu por mares continentes que nos deixou por herança
Nas caravelas, num mar de águas turbulentas
Dobrou o Cabo das Tormentas que é hoje o de Boa Esperança

Qual é o país, vaidoso e feliz, no mar pioneiro
E que é marinheiro... e que é marinheiro
Que levou a cruz de Cristo Jesus pelo mundo inteiro
E que é marinheiro... velho marinheiro
E que é marinheiro... velho marinheiro

Nasceu á beira do mar
E assim se fez marinheiro
Fez-se ao mar a navegar
E cruzou o mundo inteiro

Chegou primeiro a outras praias distantes
Por esses mares nunca dantes navegados por alguém
Tem um padrão á coragem aos tormentos
Pelos seus descobrimentos, junto á Torre de Belém

Qual é o país, vaidoso e feliz, no mar pioneiro
E que é marinheiro... e que é marinheiro
Que levou a cruz de Cristo Jesus pelo mundo inteiro
E que é marinheiro... velho marinheiro
E que é marinheiro... velho marinheiro

Qual é o país, vaidoso e feliz, no mar pioneiro
E que é marinheiro... e que é marinheiro
Que levou a cruz de Cristo Jesus pelo mundo inteiro
E que é marinheiro... velho marinheiro
E que é marinheiro... velho marinheiro

LEONOR SANTOS

SONHEI QUE FUGI CONTIGO
Letra: Carlos Augusto Cabral / Música: Pedro Santos



SONHEI QUE FUGI CONTIGO

Sonhei que fugi contigo
Numa tipóia enfeitada
E que fiquei de surpresa
Num solar de estilo antigo
Mesmo á beirinha da estrada
De uma aldeia portuguesa

Levei a minha guitarra
As cantigas que aprendi
A minha voz e depois
De forma alegre e bizarra
Eu cantava só para ti
Só p`ra mim para nós dois

Assim que a manhã rompia
Nos montávamos cavalos
Os tais de sangue Irlandês
E andávamos todavia
Sem cuidados nem abalos
Nos campos de lés a lés

Sonhei que fugi contigo
Numa tipóia enfeitada
E no teu solar vivi
Ai quem me dera o castigo
De te seguir acordada
Como a sonhar te segui

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

ARTUR BATALHA

TRAGO MINHA VIDA PRESA
Letra: Artur Batalha - Música: Fado Menor



TRAGO MINHA VIDA PRESA

Trago minha vida presa
No mar sem fim do amor
Nas águas da incerteza
Alimento minha dor

Sou grito de sofrimento
Sem rumo nem condição
Aviva-me o pensamento
Numa constante ilusão

É tão longa a caminhada
Em busca d’um peito amigo
Adormeço na calçada
Como se fosse um mendigo

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

CARMINHO

SENHORA DA NAZARÉ (João Nobre)



SENHORA DA NAZARÉ

Senhora da Nazaré rogai por mim
Também sou um pescador que anda no mar
No largo da vida aproei nas vagas sem fim
Vi meu barquito de sonhos sempre a naufragar

As minhas redes lancei com confiança
Colhi só desilusões no mar ruim
Perdi o leme da esperança
Eu não sei remar assim
Senhora da Nazaré rogai por mim

As minhas redes lancei com confiança
Colhi só desilusões no mar ruim
Perdi o leme da esperança
Eu não sei remar assim
Senhora da Nazaré rogai por mim

MARIA DE LOURDES

PERSEGUIÇÃO (Avelino Souza/Carlos da Damaia)



PERSEGUIÇÃO

Se de mim nada consegues
Não sei porque me persegues
Constantemente na rua;
Sabes bem que sou casada
Que fui sempre dedicada
E que não posso ser tua

Lá porque és rico e elegante
Queres que eu seja a tua amante
Por capricho, ou presunção
Eu tenho um marido pobre
Que possui alma nobre
E é toda a minha paixão

Rasguei as cartas sem ler
De ti não quis receber
Jóias ou flores que trouxesses
Não me vendo nem me dou
Pois já dei tudo o que sou
Com amor que não conheces

Não me vendo nem me dou
Pois já dei tudo o que sou
Com amor que não conheces

JOANA VEIGA

Ó PÁ DO FADO (Fernando Farinha, Mário José Lopes/ António Pinho, Américo Leite)



Ó PÁ DO FADO

O fado perdeu a raça
Aquela graça afadistada
Deixou de ser desordeiro
E companheiro da rambóiada
Esses fadistas de agora
Trazem o fado virado
Nos retiros e salões
Cantam canções em vez de fado

Eh pá!... não fiques calado
Eh pá!...canta lá o fado
O fado era assim meus senhores
Com vinho da pipa, a correr
Assim malcriado e avinhado
É que o fado era fado a valer

Eh pá!... não fiques calado
Eh pá!...canta lá o fado
O fado era assim meus senhores
Com vinho da pipa, a correr
Assim malcriado e avinhado
É que o fado era fado a valer

Hoje o fado é p’ra estrangeiro
Para banqueiros e p’ra doutores
Os fadistas são artistas
Não são fadistas, já são cantores
É cantado nas boites
E assim armado em finório
O fado mudou de rumo
Já tem consumo obrigatório

Eh pá!... não fiques calado
Eh pá!...canta lá o fado
O fado era assim meus senhores
Com vinho da pipa, a correr
Assim malcriado e avinhado
É que o fado era fado a valer

Eh pá!... não fiques calado
Eh pá!...canta lá o fado
O fado era assim meus senhores
Com vinho da pipa, a correr
Assim malcriado e avinhado
É que o fado era fado a valer

Eh pá!... não fiques calado
Eh pá!...canta lá o fado
O fado era assim meus senhores
Com vinho da pipa, a correr
Assim malcriado e avinhado
É que o fado era fado a valer

ALBERTO RIBEIRO

FADO HILÁRIO
Letra: Gabriel de Oliveira / Música: Augusto Hilário


FADO HILÁRIO

Quando o Hilário cantava
Alta noite no Choupal
Toda a tricana escutava
A sua voz de cristal

Tricana da minha vida
Se eu á noite fôr á Lapa
Hei-de levar-te escondida
Debaixo da minha capa

O Hilário disse um dia:
Ninguém mais será formado
Quando a velha academia
Deixar de cantar o fado

MARIA ALBERTINA

BEIJOS QUENTES (



BEIJOS QUENTES

Deste – me um beijo ao erguer-te
Oh meu amor minha vida
Mas vê não podes esquecer-te
De dar-me um beijo á saída

Da janela ainda te vejo
Enquanto a esquina não viras
Alegre á espera do beijo
Que lá de longe me atiras

E a tarde inteira indolente
Fico a esperar enamorada
Aquele beijo tão quente
Que me vais dar á chegada

MAX

A ROSINHA DOS LIMÕES (Artur Ribeiro)



A ROSINHA DOS LIMÕES

Quando ela passa, franzina e cheia de graça,
Há sempre um ar de chalaça, no seu olhar feiticeiro.
Lá vai catita, cada dia mais bonita,
E o seu vestido, de chita, tem sempre um ar domingueiro.

Passa ligeira, alegre e namoradeira,
E a sorrir, p'rá rua inteira, vai semeando ilusões.
Quando ela passa, vai vender limões à praça,
E até lhe chamam, por graça, a Rosinha dos limões.

Quando ela passa, junto da minha janela,
Meus olhos vão atrás dela até ver, da rua, o fim.
Com ar gaiato, ela caminha apressada,
Rindo por tudo e por nada, e às vezes sorri p'ra mim…

Quando ela passa, apregoando os limões,
A sós, com os meus botões, no vão da minha janela
Fico pensando, que qualquer dia, por graça,
Vou comprar limões à praça e depois, caso com ela!

Quando ela passa, apregoando os limões,
A sós, com os meus botões, no vão da minha janela
Fico pensando, que qualquer dia, por graça,
Vou comprar limões à praça e depois, caso com ela!

VALDEMAR VIGÁRIO

QUE PENA (António Paixão/Fado Menor)



QUE PENA


Que pena que o tempo passe
Cavando rugas no rosto
Mal na vida o sol nos nasce
Logo p’ra nós é sol-posto

Que pena que o tempo passe
Sem um rumo sem um norte
Tal qual folha que esvoace
Ao sabor do vento forte

Que pena que alma ferida
Por tanto e tanto desgosto
Encha de sombras a vida
Cavando rugas no rosto

Que pena vida á ilusão
Ao menor esforço desfaz-se
Mata em nós o coração
Mal na vida o sol nos nasce

Que pena que p’ra viver
Soframos tanto desgosto
Quando julgámos vencer
Logo p’ra nós é sol-posto

FRANCISCO MARTINHO

MAIS UM RISCO (Paco Gonzalez)



MAIS UM RISCO

Mais um risco
Na agenda da minha vida
Mais um risco
De perder por tanto amar
Miserável este coração ardente
Que naufraga no mar de um falso olhar
Mais um risco
Se te vejo na avenida
Mais um risco
No desejo que me abraça
Como louco eu te entrego a minha vida
P`ra que a pises no caminho da desgraça
Mais um risco
Porque mentindo me feres
Mais um risco
Nos beijos de caridade
Mas quem sabe se um dia és tu que me queres
E eu te pague com a moeda da saudade
Mais um risco
No vexame do teu riso
Mais um risco
Nas noites que hão-de passar
Não tens pena que eu me arrisque tanto tanto
Para que um dia não te possa perdoar
Mais um risco
Na agenda da minha vida
Mais um risco
De perder por tanto amar
Miserável este coração ardente
Que naufraga no mar de um falso olhar
Mais um risco
Se te vejo na avenida
Mais um risco
No desejo que me abraça
Como louco eu te entrego a minha vida
P`ra que a pises no caminho da desgraça
Mais um risco
Porque mentindo me feres
Mais um risco
Nos beijos de caridade
Mas quem sabe se um dia és tu que me queres
E eu te pague com a moeda da saudade
Mais um risco
No vexame do teu riso
Mais um risco
Nas noites que hão-de passar
Não tens pena que eu me arrisque tanto tanto
Para que um dia não te possa perdoar

Não tens pena que eu me arrisque tanto tanto
Mais um risco
Na agenda da minha vida
Mais um risco
De perder por tanto amar
Miserável este coração ardente
Que naufraga no mar de um falso olhar
Mais um risco
Se te vejo na avenida
Mais um risco
No desejo que me abraça
Como louco eu te entrego a minha vida
P`ra que a pises no caminho da desgraça
Mais um risco
Porque mentindo me feres
Mais um risco
Nos beijos de caridade
Mas quem sabe se um dia és tu que me queres
E eu te pague com a moeda da saudade
Mais um risco
No vexame do teu riso
Mais um risco
Nas noites que hão-de passar
Não tens pena que eu me arrisque tanto tanto
Para que um dia não te possa perdoar

Não tens pena que eu me arrisque tanto tanto
Para que um dia não te possa perdoar

FRANCISCO JOSÉ

SÓ NÓS DOIS (M.António Rodrigues / Joaquim Pimentel)



SÓ NÓS DOIS

Só nós dois é que sabemos
O quanto nos queremos bem
Só nós dois é que sabemos
Só nós dois e mais ninguém

Só nós dois avaliamos
Este amor forte e profundo
Quando o amor acontece
Não pede licença ao mundo

Anda... abraça-me, beija-me
Encosta o teu peito ao meu
Esquece o que vai na rua, vem ser minha eu serei teu
Que falem, não nos interessa
O mundo não nos importa
O nosso mundo começa cá dentro da nossa porta

Só nós dois compreendemos
O calor dos nossos beijos.
Só nós dois é que sofremos
A tortura dos desejos

Vamos viver o presente
Tal qual a vida nos dá
O que reserva o futuro
Só Deus sabe o que será

Anda... abraça-me, beija-me
Encosta o teu peito ao meu
Esquece o que vai na rua, vem ser minha eu serei teu
Que falem, não nos interessa
O mundo não nos importa
O nosso mundo começa cá dentro da nossa porta

RICARDO RIBEIRO

NOS GESTOS, NOS SENTIDOS (



NOS GESTOS, NOS SENTIDOS

Nos gestos nos sentidos, que nós somos
Pensamos coisas loucas de prazer
Andamos pelo mundo insistimos
Na fúria de amar e de viver

Um olhar para ti na noite dos desejos
Sentir o teu corpo em tempestade
Calar a tua boca com mil beijos
Num tempo de sonho e realidade

Cantar-te a madrugada em pensamento
Dizer-te o adeus de regressar
Na vida que nós somos não há tempo
De sermos um do outro e de ficar

JULIO PERES

PARECE INCRÍVEL (



PARECE INCRÍVEL

Parece incrível parece
Mas é certo infelizmente
A gente nunca se esquece
De quem se esquece da gente

Saudade, profunda chaga
Feita de um sonho desfeito
Deixa-nos marcas no peito
Que nem o tempo as apaga

Dor que ás vezes nos esmaga
E nos deprime atrozmente
Que a gente não vê, mas sente
Como vente que arrefece

Parece incrível parece
Mas é certo infelizmente

Se a saudade se mistura
Com laivos de ingratidão
Mais dura se torna então
A magoa que nos tortura

Então a gente procura
Sorrir mostrar-se indiferente
Embora fingidamente
Porque quando isso acontece

A gente nunca se esquece
De quem se esquece da gente

TERESA SILVA DE CARVALHO

EU QUERO AMAR, AMAR PERDIDAMENTE (Florbela Espanca/Teresa Silva carvalho)



EU QUERO AMAR, AMAR PERDIDAMENTE


Eu quero amar amar perdidamente
Amar só por amar aqui e além
Mais este aquele outro e toda a gente
Amar, amar e não amar ninguém

Recordar esquecer indiferente
Prender ou desprender é mal é bem
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente

Há uma primavera em cada vida
É preciso cantá-la assim florida
Pois se Deus nos deu voz foi p´ra cantar


E se um dia hei-de ser pó cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada
Que me saiba perder p´ra me encontrar

E se um dia hei-de ser pó cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada
Que me saiba perder p´ra me encontrar

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

AMÁLIA RODRIGUES

O FADO DE CADA UM (



O FADO DE CADA UM

Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce malfadado,
Melhor fado não terá!
Fado é sorte
E do berço até à morte,
Ninguém foge, por mais forte
Ao destino que Deus dá!

No meu fado amargurado
A sina minha
Bem clara se revelou
Pois cantando
Seja quem for adivinha
Na minha voz soluçando
Que eu finjo ser quem não sou!

Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce malfadado,
Melhor fado não terá!
Fado é sorte
E do berço até à morte,
Ninguém foge, por mais forte
Ao destino que Deus dá!

Bom seria poder um dia
Trocar-te o fado
Por outro fado qualquer
Mas a gente
Já traz o fado marcado
E nenhum mais inclemente
Do que este de ser mulher!

Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce malfadado,
Melhor fado não terá!
Fado é sorte
E do berço até à morte,
Ninguém foge, por mais forte
Ao destino que Deus dá!

MARIA CLARA

FADO DE LISBOA (



FADO DE LISBOA

Meu pai era mareante
Um pescador o meu amante
Lobo do mar, meu avô
Um novo amante depois
Dos três ficaram só dois
E por fim nenhum ficou
Num fatalismo implacável
Com furores assassinável
No mar levou todos três
E quem eu sou neste mundo
Desconsolo mais fundo
Que o fundo do mar talvez
Sou o resto do naufrágio
O eco do mal presságio
Despojo da maré viva
Lanço de amarras quebradas
De velas despedaçadas
Entre as ondas á deriva
Oh mar que a todos levaste
Oh ladrão que mos roubaste
Tu deves ter feiticeiros
De estranho e cruel destino
O meu filho pequenino
Só pensa em ser marinheiro

DINA TEREZA

O VELHO FADO DA SEVERA (



O VELHO FADO DA SEVERA

Embora digam que não
Eu sou boa rapariga
Trago o sol no coração
Trago a navalha
Trago a navalha na liga

Quem tiver filhas no mundo
Não ria das desgraçadas
Porque as filhas da desgraça
Também nasceram
Também nasceram honradas

VICENTE DA CÂMARA

MODA DAS TRANÇAS PRETAS (



MODA DAS TRANÇAS PRETAS

Como era linda com seu ar namoradeiro
Até lhe chamavam "menina das tranças pretas",
Pelo Chiado caminhava o dia inteiro,
Apregoando raminhos de violetas.

E as raparigas d'alta roda que passavam
Ficavam tristes a pensar no seu cabelo,
Quando ela olhava, com vergonha, disfarçavam
E pouco a pouco todas deixaram crescê-lo.

Passaram dias e as meninas do Chiado
Usavam tranças enfeitadas com violetas,
Todas gostavam do seu novo penteado,
E assim nasceu a moda das tranças pretas.

Da violeteira já ninguém hoje tem esperanças,
Deixou saudades, foi-se embora e à tardinha
Está o Chiado carregado de mil tranças
Mas tranças pretas ninguém tem como ela tinha.

AMÁLIA RODRIGUES

O FADO DA SAUDADE (



O FADO DA SAUDADE

Eu canto o fado p’ra mim
Já o cantei p’ra nós dois
Mas isso foi no passado
Já que assim é seja assim
Já me esqueceste depois
Já cada qual tem seu fado

O mais feliz é o teu tenho a certeza
É o fado da pobreza
Que nos leva á felicidade
Se Deus o quis
Não te invejo essa conquista
Porque o meu é mais fadista
É o fado da saudade

Se Deus o quis
Não te invejo essa conquista
Porque o meu é mais fadista
É o fado da saudade

PEDRO MOUTINHO

NÃO ME CONFORMO (



NÃO ME CONFORMO

Não sei como pudeste descansar
Noutros braços sabendo que estou triste
Nem o remorso só te faz lembrar
O que te dei e tu retribuíste
Mas como santo deus tudo apagado
Nesse teu coração descontrolado
Sabendo tu que o meu se queimaria
Numa saudade viva dia a dia
Bem sei que todo o bem tem sempre um fim
Mas não, não me conformo assim
Entre nós dois estão sempre de permeio
Doces recordações a que me agarro
Na estante o livro que deixaste a meio
No meu cinzeiro o ultimo cigarro
E o lenço que me deste nos meus anos
Mortalha de outros tantos desenganos
Onde guardo o que resta desse adeus
Que os teus olhos trocaram com os meus
Bem sei que todo o meio tem sempre um fim
Mas não, não me conformo assim

Bem sei que todo o meio tem sempre um fim
Mas não, não me conformo assim

AMÁLIA RODRIGUES

NAUFRÁGIO (Cecília Meireles/Alain Oulman)



NAUFRÁGIO


Pus o meu sonho no navio
E o navio em cima do mar
Depois abri o mar com as mãos
Com as mãos, para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
Do azul, do azul das ondas entreabertas
E a cor que escorre dos meus dedos
Colore as areias desertas.

O vento vem
Vindo de longe
A noite se curva de frio
Debaixo da água
Vai morrendo o meu sonho
Vai morrendo dentro de um navio

Chorarei, quanto for preciso,
Para fazer, para fazer com que o mar cresça
E o meu navio chegue ao fundo
E o meu sonho desapareça

TERESA SILVA CARVALHO

NUNCA ME FALES VERDADE (Augusto Gil/Alfredo Marceneiro)



NUNCA ME FALES VERDADE

Oh meu amor, meu amor
Quem me dera ter-te aqui
Passar toda a minha vida
Contigo ao pé de mim

Dizem que a saudade espera
A ausência p’ra chegar
Eu tenho saudades tuas
Ainda antes de te deixar

Vejo os teus olhos divinos
Que enchem de sonho o meu ser
Pensando já na tristeza
Que de não vê-los vou ter

Ainda que o teu amor
Seja apenas falsidade
Abençoada mentira
Nunca me fales verdade

Fico às vezes a cismar
Neste mistério de amor
És o bem da minha vida
Sendo tu a minha dor

domingo, 3 de janeiro de 2010

LUCÍLIA DO CARMO

ELE HÁ-DE TER O CASTIGO (



ELE HÁ-DE TER O CASTIGO

Sem ter motivo ofendeu-me
Após dar-me sorte crua
E me por a alma em brasa
Injuriou-me e bateu-me
Abriu a porta da rua
E pôs-me fora de casa

Presa fácil de uma intriga
Julguei-me só na viela
Sem ar sem luz sem saída
Não, eu tinha uma amiga
P’ra desabafar com ela
As penas da minha vida

Corri logo a procurá-la
P’ra lhe contar sem demora
Toda a mágoa do meu fado
Não consegui encontrá-la
Havia mais de uma hora
Que ela se tinha mudado

Mas como há sempre quem diga
O que a gente quer saber
Mais um golpe em mim desceu
É que a minha grande amiga
Mudou-se p’ra ser mulher
Daquele que me bateu

É que a minha grande amiga
Mudou-se p’ra ser mulher
Daquele que me bateu

sábado, 2 de janeiro de 2010

FREI HERMANO DA CÂMARA

RAPAZ DA CAMISOLA VERDE (



RAPAZ DA CAMISOLA VERDE

De mãos nos bolso e de olhar distante,
Jeito de marinheiro ou de soldado,
Era um rapaz de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.

Perguntei-lhe quem era e ele me disse
“Sou do monte, Senhor, e o seu criado”.
Pobre rapaz de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado

Porque me assaltam turvos pensamentos?
Na minha frente estava um condenado.
Vai-te, rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.


Ouvindo-me, quedou-se o bravo moço,
Indiferente à raiva do meu brado,
E ali ficou de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.


Soube depois ali que se perdera
Esse que só eu pudera ter salvado.
Ai do rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.

Ai do rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

TERESA SALGUEIRO

SOMBRA (Fado Nocturno



SOMBRA

Se a noite escura demora
Cativa dentro do peito
Pressinto quando me deito
A voz de alguém
Que hoje não vem
E mora em mim a toda a hora

Falando grave e escondida
Por entre as coisas reais
Suspende a força da vida
E não é ninguém:
Ah, não é ninguém
Somente sombra e nada mais

Porém a voz que se ouvia
Morre com a noite no cais
E o sol agora me alumia

Porém a voz que se ouvia
Morre com a noite no cais
E o sol agora me alumia

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA

TROVA DO TEMPO QUE PASSA (Manuel Alegre)



TROVA DO TEMPO QUE PASSA

Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
E o vento cala a desgraça
E o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
Dentro da própria desgraça
Há sempre alguém que semeia
Canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

ARTUR BATALHA

NÃO CONHEÇO O MEU DESTINO (Alexandre Fontes/Fontes Rocha)



NÃO CONHEÇO O MEU DESTINO

Não conheço a felicidade
Que anda perdida no vento
Conheço bem a saudade
Que não me deixa um momento

Não conheço madrugadas
Mais medonhas do que as minhas
Conheço vidas erradas
Voando como andorinhas

Não conheço o desespero
Da paixão que é herdada
Conheço gente que é zero
Vivendo sempre do nada

Não conheço meu destino
Eu não sei pra onde vou
Neste mundo em desatino
Eu nem sequer sei quem sou

CANDIDA RAMOS

NÃO PASSAS SEM MIM (Frederico de Brito/José António Sabrosa)



NÃO PASSAS SEM MIM

Vamos fazer uma escolha
És o tronco eu sou a rama
És o vento eu sou a folha
És o proveito e eu a fama

És o sol eu sou a sombra
És o braço eu sou a lança
És o mato eu sou alfombra
És o desejo eu a esperança

És o mar eu sou a areia
És o pincel e eu a cor
És o sangue eu sou a veia
És o riso eu sou a dor

És o mundo eu sou o espaço
És o princípio e eu o fim
Mas eu sem ti já não passo
E tu não passas sem mim